Agrotóxicos: conceitos, desafios e realidade brasileira
A discussão sobre agrotóxicos, portanto, precisa ir além dos estigmas
Daniel Roberto Galafassi
O termo agrotóxico frequentemente desperta polêmicas e costuma ser associado apenas a riscos para a saúde e o meio ambiente. No entanto, a legislação brasileira — em especial a Lei nº 14.785, de 27 de dezembro de 2023 — deixa claro que se trata de um conceito mais amplo. A lei regulamenta o registro, fabricação, comercialização, uso e o destino de resíduos e embalagens desses produtos. Consideram-se agrotóxicos não apenas os defensivos químicos, mas também microrganismos, insetos e outros agentes biológicos empregados no controle de pragas em lavouras, pastagens, florestas e até em áreas urbanas. Isso significa que até mesmo produtos sem toxicidade passam por rigorosos estudos antes de serem liberados para uso.
Com o avanço da ciência, os agrotóxicos evoluíram em direção a tecnologias mais modernas, seguras e sustentáveis. Hoje, há forte investimento em pesquisa para aumentar a eficiência dos produtos e reduzir seus impactos ambientais. Paralelamente, a regulamentação também se tornou mais criteriosa: o processo de registro exige ampla comprovação de segurança para a saúde humana e para o meio ambiente. Não por acaso, os agrotóxicos estão entre as substâncias mais controladas do mundo, avaliados por diversos órgãos antes da liberação.
No Brasil, a Anvisa criou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), que monitora os níveis dessas substâncias em produtos de origem vegetal. O programa é coordenado em parceria com órgãos estaduais e municipais de Vigilância Sanitária, reforçando a rede de controle.
220 bilhões
A importância desses produtos fica evidente diante dos prejuízos causados por pragas e doenças agrícolas. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), cerca de 40% da produção agrícola mundial se perde todos os anos devido a esses fatores. Estima-se que doenças de plantas gerem perdas de aproximadamente US$ 220 bilhões anuais, enquanto pragas invasoras custam em torno de US$ 70 bilhões. Esses danos reduzem a disponibilidade de alimentos e afetam de forma mais severa as populações vulneráveis.
No Brasil, o registro e a avaliação de segurança dos agrotóxicos envolvem três esferas: Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama, que representam os setores da agricultura, saúde e meio ambiente. Além disso, a comercialização só pode ocorrer mediante receituário agronômico, prescrito por engenheiro agrônomo, e cada produto deve conter em seu rótulo instruções de uso e recomendações de segurança.
Estigmas
É comum ouvir que o Brasil seria o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Porém, os dados não confirmam essa afirmação. Em 2018, segundo a FAO, o país ocupava o terceiro lugar em consumo total, atrás da China e dos Estados Unidos. Quando a análise é feita pelo critério de consumo por hectare, a posição brasileira cai para o 25º lugar, o que demonstra que o uso é proporcional à dimensão da produção agrícola nacional e ocorre de forma racional.
A discussão sobre agrotóxicos, portanto, precisa ir além dos estigmas. Esses produtos devem ser compreendidos como parte de um conjunto de tecnologias que unem ciência, inovação e regulamentação, essenciais para garantir a produtividade agrícola e a segurança alimentar mundial.
Daniel Roberto Galafassi
Engenheiro Agrônomo
Presidente APEPA
Tópicos
Leia mais
City Farm FAG, em Cascavel, entra no Calendário Oficial de eventos do Paraná
Copacol comemora pavimentação de rodovias que consolida “circuito agro”
Crédito Rural: Sicoob projeta R$ 60 bilhões em concessões na Safra 25/26